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Chegar aos 100 anos será mais comum com hábitos saudáveis

Chegar aos 100 anos com saúde plena pode se tornar uma realidade mais comum nas próximas décadas, segundo o pesquisador ítalo-americano Valter Longo. Ele é um dos principais…

Chegar aos 100 anos com saúde plena pode se tornar uma realidade mais comum nas próximas décadas, segundo o pesquisador ítalo-americano Valter Longo. Ele é um dos principais especialistas em longevidade e diretor do Instituto de Longevidade da Universidade do Sul da Califórnia. Durante sua recente visita ao Brasil para um evento do Instituto Vencer o Câncer, ele compartilhou suas previsões sobre o que pode nos ajudar a alcançar uma vida longa e saudável.

Longo destaca que não são necessários tratamentos complexos ou tecnologias avançadas para atingir essa meta. O que ele recomenda são três pilares fundamentais, bem conhecidos por todos: alimentação, exercício físico e sono. Para Longo, quem seguir essas orientações de forma disciplinada terá grandes chances de viver não apenas mais, mas com qualidade.

O especialista ficou famoso por seu livro “A Dieta da Longevidade”, que defende uma alimentação composta principalmente por vegetais, grãos integrais, leguminosas e gorduras saudáveis, com consumo reduzido de carne vermelha e peixe. Em seu livro mais recente, “Desnutrir o Câncer, Nutrir o Paciente”, Longo aborda como uma dieta que simula o jejum pode ser eficaz no tratamento de tumores.

Ele também ressalta que, embora os avanços da medicina, como novos medicamentos e vacinas, desempenhem um papel importante na prevenção de doenças, simplesmente viver mais anos sem um estilo de vida saudável não garante saúde e autonomia. Longo observa que muitas pessoas conhecem os benefícios de uma boa alimentação e atividade física, mas não adotam esses hábitos de forma consistente.

Conforme ele explica, as recomendações de mudança de estilo de vida estão se tornando consenso, mas a prática ainda é insuficiente. Acredita que aqueles que seguirem de fato essas orientações poderão não apenas alcançar 100 anos, mas também desfrutar de uma vida ativa e saudável, enquanto os que não o fizerem terão menos chances, podendo viver apenas até os 80 anos.

Fernando Longo enfatiza o exercício como um dos pilares para uma vida longa e saudável, recomendando que as atividades físicas sejam simples e facilmente incorporáveis à rotina. Ele mesmo usa uma bicicleta ergométrica em casa, pedalando todos os dias em que não faz exercícios mais intensos.

Ele também menciona que é mais eficaz começar a ter hábitos saudáveis desde cedo, mas é importante lembrar que mudanças na alimentação aos 60 ou 80 anos ainda trazem benefícios significativos. Um estudo internacional indica que adotar uma dieta saudável aos 20 pode acrescentar até 13 anos à expectativa de vida; mesmo mudanças tardias podem proporcionar ganhos relevantes.

Longo também discutiu sua pesquisa sobre dietas que imitam o jejum no tratamento do câncer. A abordagem tem sido estudada desde 2005 e visa privar as células cancerígenas de nutrientes, enquanto as células normais se defendem. Essa estratégia já está sendo testada em humanos em ensaios clínicos.

Os tipos de câncer que estão sendo pesquisados incluem o câncer de mama triplo negativo, já bastante avançado em termos de testes clínicos. Longo recomenda que os pacientes discutam essa via com seus médicos, sem querer substituir os tratamentos convencionais, mas oferecendo um complemento que pode potencializar os efeitos das terapias.

Ele menciona que essa resistência à aceitação da nutrição como um pilar no tratamento do câncer pode estar ligada ao grande investimento financeiro que existe no desenvolvimento de medicamentos. Esse foco faz com que outras abordagens, como a alimentação, sejam muitas vezes negligenciadas.

Além de pacientes com câncer, Longo acredita que pessoas com diabetes, obesidade e doenças autoimunes poderiam se beneficiar da dieta que simula o jejum, que já mostrou resultados positivos em estudos laboratoriais.

Quando questionado sobre a alimentação típica do Brasil, que geralmente é baseada em arroz, feijão e carne, Longo acredita que ela pode ser aprimorada. Ele sugere um aumento no consumo de leguminosas e grãos integrais e a redução na ingestão de carnes vermelhas, especialmente até os 70 anos.

Em sua visão, os principais pilares para manter uma vida saudável incluem exercícios regulares, sono de qualidade e uma alimentação saudável. Longo recomenda cerca de 150 minutos de atividades físicas por semana, com pelo menos 15 minutos em intensidade elevada, além de dormir entre 7 a 8 horas por dia em um ambiente propício.

Ele menciona que, embora as pessoas enfrentem desafios para adotar hábitos saudáveis, é fundamental simplificá-los. O foco deve ser em ações que possam ser facilmente encaixadas na rotina diária. Longo enfatiza que é possível melhorar os hábitos em qualquer idade e que isso sempre vale a pena.

Por fim, Longo acredita que a ideia de viver até os 110 anos pode se tornar mais comum com o tempo, mas destaca que para isso é necessário adotar um estilo de vida saudável. Caso contrário, o aumento da expectativa de vida será acompanhado por uma maior incidência de doenças e dependência de medicamentos.