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Saúde

Ultrassom das veias das pernas: como é feito, preparo e quando o médico pede

Sem jejum nem agulha, o ultrassom das veias das pernas é feito deitado e em pé para flagrar refluxo.

Por · · 7 min de leitura
Aparelho portátil de ultrassom Doppler sobre fundo azul

Aparelho portátil de ultrassom Doppler sobre fundo azul

Dona Lúcia passou a tarde inteira de pé no balcão da padaria e, ao chegar em casa, notou a panturrilha esquerda mais inchada que a direita. A meia deixou uma marca funda no tornozelo. No dia seguinte, o médico examinou a perna, perguntou sobre dor e peso ao fim do dia e pediu um ultrassom das veias das pernas. Ela saiu do consultório sem saber o que esse exame enxerga que o olho não alcança.

A resposta começa pelo nome. O exame pertence à família do ultrassom com Doppler, um grupo de exames de imagem que mostra o sangue em movimento dentro dos vasos, do pescoço aos membros. Na versão feita nas pernas, o foco são as veias: se o sangue sobe como deveria, se há refluxo e se existe coágulo obstruindo o caminho. Nada de agulha, contraste ou radiação.

Por que o médico pede esse exame e não outro

Inchaço que piora ao fim do dia, sensação de peso, dor na panturrilha, varizes visíveis e manchas escuras perto do tornozelo são as queixas mais comuns no consultório. O exame físico levanta a suspeita, mas não enxerga o que acontece dentro do vaso. A imagem resolve essa lacuna.

Existe também o pedido com urgência. Quando uma perna incha de repente, fica quente e dolorida, o médico quer afastar a trombose venosa profunda, e a imagem é o caminho mais direto. Nesses casos a orientação costuma ser fazer no mesmo dia.

Etapas do ultrassom das veias das pernas, da maca ao laudo

Cada etapa responde a uma pergunta diferente do médico. A tabela resume o roteiro mais frequente; a ordem muda conforme o serviço e o motivo do pedido.

EtapaAção do examinadorSinal observado na tela
Veias profundas, deitadoAperta a veia com o transdutor em vários pontos da coxa e da pernaVeia que fecha sob pressão indica ausência de coágulo
Veias superficiais, em péPercorre a safena e seus ramos do tornozelo até a virilhaCalibre, trajeto e pontos de dilatação das varizes
Manobra de refluxoComprime a panturrilha e solta, com a pessoa em péSangue que volta para baixo ao soltar, e por quanto tempo
Veias perfurantesProcura as ligações entre o sistema profundo e o superficialRefluxo localizado em pontos marcados na pele
Registro e laudoGrava imagens e descreve cada segmentoMaterial que o médico solicitante compara com a queixa

Passo a passo do dia do exame

A sequência vale para a maioria dos serviços; horário e documentação devem ser confirmados no agendamento.

  1. Levar o pedido médico, um documento com foto e o cartão do plano ou do SUS.
  2. Vestir roupa fácil de tirar e deixar cremes e óleos longe das pernas naquele dia.
  3. Avisar na recepção se usa meia de compressão, se está grávida ou se já teve trombose.
  4. Deitar na maca para a primeira parte, com gel na pele e o transdutor pressionando as veias.
  5. Ficar em pé, apoiado em um degrau, para a parte de refluxo e mapeamento.
  6. Guardar laudo e imagens e levá-los à consulta de retorno.

Preparo: o que levar e o que evitar

Jejum não costuma ser exigido, porque o abdome não entra no campo de visão. Quem toma remédio de uso contínuo mantém a rotina, salvo orientação contrária de quem pediu o exame. A regra muda quando o pedido inclui outros vasos.

Creme hidratante atrapalha. O gel precisa de contato direto com a pele, e uma camada oleosa espalha a imagem e obriga o examinador a limpar a perna antes de começar. Pelos não interferem; depilar não é necessário.

Meias elásticas merecem uma pergunta no agendamento. Alguns serviços pedem que a pessoa chegue sem elas, para que as veias estejam no estado natural; outros aceitam que sejam retiradas na sala.

Deitado e em pé: por que a posição muda tudo

Na posição deitada, o sangue das pernas volta ao coração sem lutar contra a gravidade. É o momento ideal para comprimir as veias profundas e ver se elas fecham, o teste mais usado para afastar coágulo. A pessoa sente a pressão do transdutor, e só isso.

Em pé, a gravidade entra em cena. Veias com válvulas que não fecham deixam o sangue descer de volta, e esse refluxo só aparece com clareza quando a pessoa está de pé. Por isso o examinador pede para apoiar o peso na perna oposta à avaliada.

O tempo total varia com o número de pernas examinadas e com a pergunta do médico. Mapear varizes para uma cirurgia demora mais que afastar uma trombose em um segmento. Quem tem dificuldade para ficar de pé deve avisar antes.

Veias ou artérias: a diferença no pedido do médico

O pedido pode vir escrito como Doppler venoso, Doppler arterial ou mapeamento de varizes, e cada um responde a uma dúvida distinta. No venoso, o foco é o retorno do sangue e os coágulos. No arterial, o que importa é o sangue que chega.

Ultrassom das veias das pernas e Doppler venoso de membros inferiores são, na prática, o mesmo exame com nomes diferentes. O mapeamento de varizes é uma versão mais detalhada, pedida antes de cirurgia, em que cada veia doente é marcada na pele com caneta.

Nem sempre as duas pernas entram no pedido. Suspeita de trombose em uma perna costuma gerar exame unilateral; já a avaliação de varizes tende a ser bilateral, porque a doença raramente poupa um lado.

Termos que aparecem no laudo, em linhas gerais

Um laudo venoso fala de três coisas: se as veias profundas estão livres de coágulo, se há refluxo e em quais segmentos, e qual o calibre das veias superficiais. Os termos seguem uma lógica de mapa, do tornozelo à virilha.

Refluxo em uma safena não significa, sozinho, que será preciso operar. Trombo descrito como antigo é diferente de trombo recente. A leitura precisa cruzar a imagem com a queixa, a avaliação no consultório e a história da pessoa, e isso só o médico solicitante faz.

Medidas de calibre e tempo de refluxo têm referências que mudam de um serviço para outro. Um número que parece alto num laudo pode estar dentro do esperado em outro protocolo. Levar o resultado à consulta poupa sustos.

Onde fazer e o que o SUS e o plano costumam cobrir

Pelo SUS, o caminho começa na unidade básica de saúde, com encaminhamento para um serviço de imagem da rede. O prazo depende da fila da região e da urgência marcada no pedido. Em suspeita de trombose, o atendimento pode ser pela emergência, sem agenda.

Nos planos de saúde, o exame costuma fazer parte da cobertura obrigatória, mas pode exigir autorização prévia. A operadora informa prazos e quais serviços credenciados o realizam.

Na escolha do serviço, três perguntas resolvem a maior parte das dúvidas: quem realiza o exame, se o laudo vem com as imagens e se o agendamento aceita pedido urgente. Um laboratório perto de casa ou do trabalho evita faltar ao retorno.

Aviso de saúde

Este texto é informativo e não substitui a consulta. Quem interpreta o ultrassom das veias das pernas é o médico que o pediu, cruzando laudo e avaliação clínica. Preparo, valores de referência e roteiro variam de um laboratório para outro, e as orientações do serviço escolhido prevalecem.

Perguntas frequentes sobre o exame das veias

Ultrassom das veias das pernas dói?

Não. Há desconforto leve quando o transdutor comprime uma veia inflamada, e só nesse ponto.

Precisa de jejum?

Em regra, não. O jejum só entra quando o mesmo pedido inclui vasos do abdome; confirme no agendamento.

Grávida pode fazer?

Sim. O exame não usa radiação e é comum na gestação, quando o inchaço das pernas aumenta.

Quanto tempo demora?

Depende do número de pernas e do tipo de pedido. Um mapeamento completo leva mais que uma pesquisa de trombose.

Posso dirigir depois?

Pode. Não há sedação nem contraste, e a rotina segue normal logo após o exame.

O laudo já diz se eu preciso operar?

Não. Ele descreve o que foi visto; a decisão sobre tratamento vem da consulta com o médico.

Resumo

O ultrassom das veias das pernas mostra o sangue em movimento, com a pessoa deitada para afastar coágulos e em pé para medir o refluxo. Não exige jejum e pede pele sem creme. O laudo descreve segmentos e medidas, cuja leitura cabe a quem fez o pedido, e a cobertura pelo SUS ou pelo plano deve ser confirmada antes de agendar.

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