Ultrassom das veias das pernas: como é feito, preparo e quando o médico pede
Sem jejum nem agulha, o ultrassom das veias das pernas é feito deitado e em pé para flagrar refluxo.
Aparelho portátil de ultrassom Doppler sobre fundo azul
Dona Lúcia passou a tarde inteira de pé no balcão da padaria e, ao chegar em casa, notou a panturrilha esquerda mais inchada que a direita. A meia deixou uma marca funda no tornozelo. No dia seguinte, o médico examinou a perna, perguntou sobre dor e peso ao fim do dia e pediu um ultrassom das veias das pernas. Ela saiu do consultório sem saber o que esse exame enxerga que o olho não alcança.
A resposta começa pelo nome. O exame pertence à família do ultrassom com Doppler, um grupo de exames de imagem que mostra o sangue em movimento dentro dos vasos, do pescoço aos membros. Na versão feita nas pernas, o foco são as veias: se o sangue sobe como deveria, se há refluxo e se existe coágulo obstruindo o caminho. Nada de agulha, contraste ou radiação.
Por que o médico pede esse exame e não outro
Inchaço que piora ao fim do dia, sensação de peso, dor na panturrilha, varizes visíveis e manchas escuras perto do tornozelo são as queixas mais comuns no consultório. O exame físico levanta a suspeita, mas não enxerga o que acontece dentro do vaso. A imagem resolve essa lacuna.
Existe também o pedido com urgência. Quando uma perna incha de repente, fica quente e dolorida, o médico quer afastar a trombose venosa profunda, e a imagem é o caminho mais direto. Nesses casos a orientação costuma ser fazer no mesmo dia.
Etapas do ultrassom das veias das pernas, da maca ao laudo
Cada etapa responde a uma pergunta diferente do médico. A tabela resume o roteiro mais frequente; a ordem muda conforme o serviço e o motivo do pedido.
| Etapa | Ação do examinador | Sinal observado na tela |
|---|---|---|
| Veias profundas, deitado | Aperta a veia com o transdutor em vários pontos da coxa e da perna | Veia que fecha sob pressão indica ausência de coágulo |
| Veias superficiais, em pé | Percorre a safena e seus ramos do tornozelo até a virilha | Calibre, trajeto e pontos de dilatação das varizes |
| Manobra de refluxo | Comprime a panturrilha e solta, com a pessoa em pé | Sangue que volta para baixo ao soltar, e por quanto tempo |
| Veias perfurantes | Procura as ligações entre o sistema profundo e o superficial | Refluxo localizado em pontos marcados na pele |
| Registro e laudo | Grava imagens e descreve cada segmento | Material que o médico solicitante compara com a queixa |
Passo a passo do dia do exame
A sequência vale para a maioria dos serviços; horário e documentação devem ser confirmados no agendamento.
- Levar o pedido médico, um documento com foto e o cartão do plano ou do SUS.
- Vestir roupa fácil de tirar e deixar cremes e óleos longe das pernas naquele dia.
- Avisar na recepção se usa meia de compressão, se está grávida ou se já teve trombose.
- Deitar na maca para a primeira parte, com gel na pele e o transdutor pressionando as veias.
- Ficar em pé, apoiado em um degrau, para a parte de refluxo e mapeamento.
- Guardar laudo e imagens e levá-los à consulta de retorno.
Preparo: o que levar e o que evitar
Jejum não costuma ser exigido, porque o abdome não entra no campo de visão. Quem toma remédio de uso contínuo mantém a rotina, salvo orientação contrária de quem pediu o exame. A regra muda quando o pedido inclui outros vasos.
Creme hidratante atrapalha. O gel precisa de contato direto com a pele, e uma camada oleosa espalha a imagem e obriga o examinador a limpar a perna antes de começar. Pelos não interferem; depilar não é necessário.
Meias elásticas merecem uma pergunta no agendamento. Alguns serviços pedem que a pessoa chegue sem elas, para que as veias estejam no estado natural; outros aceitam que sejam retiradas na sala.
Deitado e em pé: por que a posição muda tudo
Na posição deitada, o sangue das pernas volta ao coração sem lutar contra a gravidade. É o momento ideal para comprimir as veias profundas e ver se elas fecham, o teste mais usado para afastar coágulo. A pessoa sente a pressão do transdutor, e só isso.
Em pé, a gravidade entra em cena. Veias com válvulas que não fecham deixam o sangue descer de volta, e esse refluxo só aparece com clareza quando a pessoa está de pé. Por isso o examinador pede para apoiar o peso na perna oposta à avaliada.
O tempo total varia com o número de pernas examinadas e com a pergunta do médico. Mapear varizes para uma cirurgia demora mais que afastar uma trombose em um segmento. Quem tem dificuldade para ficar de pé deve avisar antes.
Veias ou artérias: a diferença no pedido do médico
O pedido pode vir escrito como Doppler venoso, Doppler arterial ou mapeamento de varizes, e cada um responde a uma dúvida distinta. No venoso, o foco é o retorno do sangue e os coágulos. No arterial, o que importa é o sangue que chega.
Ultrassom das veias das pernas e Doppler venoso de membros inferiores são, na prática, o mesmo exame com nomes diferentes. O mapeamento de varizes é uma versão mais detalhada, pedida antes de cirurgia, em que cada veia doente é marcada na pele com caneta.
Nem sempre as duas pernas entram no pedido. Suspeita de trombose em uma perna costuma gerar exame unilateral; já a avaliação de varizes tende a ser bilateral, porque a doença raramente poupa um lado.
Termos que aparecem no laudo, em linhas gerais
Um laudo venoso fala de três coisas: se as veias profundas estão livres de coágulo, se há refluxo e em quais segmentos, e qual o calibre das veias superficiais. Os termos seguem uma lógica de mapa, do tornozelo à virilha.
Refluxo em uma safena não significa, sozinho, que será preciso operar. Trombo descrito como antigo é diferente de trombo recente. A leitura precisa cruzar a imagem com a queixa, a avaliação no consultório e a história da pessoa, e isso só o médico solicitante faz.
Medidas de calibre e tempo de refluxo têm referências que mudam de um serviço para outro. Um número que parece alto num laudo pode estar dentro do esperado em outro protocolo. Levar o resultado à consulta poupa sustos.
Onde fazer e o que o SUS e o plano costumam cobrir
Pelo SUS, o caminho começa na unidade básica de saúde, com encaminhamento para um serviço de imagem da rede. O prazo depende da fila da região e da urgência marcada no pedido. Em suspeita de trombose, o atendimento pode ser pela emergência, sem agenda.
Nos planos de saúde, o exame costuma fazer parte da cobertura obrigatória, mas pode exigir autorização prévia. A operadora informa prazos e quais serviços credenciados o realizam.
Na escolha do serviço, três perguntas resolvem a maior parte das dúvidas: quem realiza o exame, se o laudo vem com as imagens e se o agendamento aceita pedido urgente. Um laboratório perto de casa ou do trabalho evita faltar ao retorno.
Aviso de saúde
Este texto é informativo e não substitui a consulta. Quem interpreta o ultrassom das veias das pernas é o médico que o pediu, cruzando laudo e avaliação clínica. Preparo, valores de referência e roteiro variam de um laboratório para outro, e as orientações do serviço escolhido prevalecem.
Perguntas frequentes sobre o exame das veias
Ultrassom das veias das pernas dói?
Não. Há desconforto leve quando o transdutor comprime uma veia inflamada, e só nesse ponto.
Precisa de jejum?
Em regra, não. O jejum só entra quando o mesmo pedido inclui vasos do abdome; confirme no agendamento.
Grávida pode fazer?
Sim. O exame não usa radiação e é comum na gestação, quando o inchaço das pernas aumenta.
Quanto tempo demora?
Depende do número de pernas e do tipo de pedido. Um mapeamento completo leva mais que uma pesquisa de trombose.
Posso dirigir depois?
Pode. Não há sedação nem contraste, e a rotina segue normal logo após o exame.
O laudo já diz se eu preciso operar?
Não. Ele descreve o que foi visto; a decisão sobre tratamento vem da consulta com o médico.
Resumo
O ultrassom das veias das pernas mostra o sangue em movimento, com a pessoa deitada para afastar coágulos e em pé para medir o refluxo. Não exige jejum e pede pele sem creme. O laudo descreve segmentos e medidas, cuja leitura cabe a quem fez o pedido, e a cobertura pelo SUS ou pelo plano deve ser confirmada antes de agendar.

