Cientistas descobrem planeta com dois sóis, similar a Star Wars
Um novo exoplaneta foi identificado por astrônomos e traz semelhanças com o planeta Tatooine, da famosa saga Star Wars. Chamado de HD 143811 AB b, esse gigante gasoso…

Um novo exoplaneta foi identificado por astrônomos e traz semelhanças com o planeta Tatooine, da famosa saga Star Wars. Chamado de HD 143811 AB b, esse gigante gasoso está localizado a cerca de 446 anos-luz da Terra. O que chama a atenção é que ele orbita duas estrelas a uma distância menor do que qualquer outro exoplaneta conhecido que também faça parte de um sistema semelhante.
A descoberta foi publicada em um estudo por pesquisadores da Northwestern University, nos Estados Unidos, e da Universidade de Exeter, no Reino Unido. Eles revisitaram dados coletados pelo Gemini Planet Imager (GPI), um instrumento do telescópio Gemini South, no Chile, e chegaram à mesma conclusão de forma independente.
Um vídeo em time-lapse compartilhado pela equipe mostra o planeta girando ao redor de suas duas estrelas, lembrando a famosa representação dos “dois sóis” de Tatooine, onde vive Luke Skywalker.
Apesar de sua proximidade em relação a outros sistemas binários, HD 143811 AB b está a aproximadamente 80 vezes mais longe das estrelas do que a Terra está do Sol. De acordo com a métrica usada para medir distâncias no espaço, ele orbita a cerca de 60 unidades astronômicas (UA) de seus sóis. Para comparação, o exoplaneta circumbinário mais próximo já observado estava a cerca de 500 UA.
HD 143811 AB b tem um período orbital longo, levando cerca de 300 anos para completar uma volta ao redor de suas estrelas, que giram entre si a cada 18 dias. É um planeta extremamente grande, seis vezes maior que Júpiter, e com temperatura que chega a cerca de 769 °C, quase o dobro da temperatura de Vênus.
Em termos de idade, o exoplaneta é considerado jovem, com aproximadamente 13 milhões de anos, enquanto a Terra tem cerca de 4,6 bilhões de anos. As estrelas ao redor do HD 143811 AB b pertencem à associação de Scorpius-Centaurus, uma região ativa de formação estelar próxima da Terra, o que explica seu calor intenso.
O especialista em exoplanetas Jason Wang, da Northwestern University, destaca que sistemas como o HD 143811 AB b são raros e têm um grande valor para a pesquisa científica. Dos cerca de 6.000 exoplanetas conhecidos, apenas uma fração muito pequena orbita em sistemas com duas estrelas. Ele também ressaltou a importância de observar tanto o planeta quanto suas estrelas, pois assim é possível acompanhar suas órbitas simultaneamente.
A confirmação da descoberta exigiu um trabalho cuidadoso, incluindo a comparação de dados do GPI coletados entre 2016 e 2019 com observações feitas no Observatório W. M. Keck, no Havaí. Os pesquisadores notaram uma luz que se movia junto com uma das estrelas, o que indicou que se tratava de um planeta em órbita.
Curiosamente, essa descoberta aconteceu enquanto o GPI se preparava para uma atualização e transição para uma nova localização perto do vulcão Mauna Kea, no Havaí. Isso motivou as equipes a revisitar os registros do instrumento, que já observou mais de 500 estrelas, mas conseguiu capturar imagens diretas de apenas seis exoplanetas, evidenciando a dificuldade desse tipo de pesquisa.
A origem de HD 143811 AB b levanta questões sobre sua formação. A maioria dos exoplanetas pertencentes a sistemas binários como esse se formaram por instabilidades gravitacionais em discos protoplanetários que colapsaram. No entanto, no caso deste exoplaneta, existem teorias que sugerem que ele pode ter se formado por um processo diferente e migrado para a posição atual.
Embora a comparação com Tatooine seja interessante, os cientistas enfatizam que o planeta não é habitável devido ao seu calor extremo e outras condições desfavoráveis. Essa descoberta, no entanto, mostra o grande potencial para novas realizações em dados antigos.
Com as melhorias no GPI, que agora operará no hemisfério norte, os astrônomos esperam captar imagens diretas de exoplanetas ainda mais próximos de suas estrelas, sem precisar esperar mais uma década para novas descobertas.