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Piometra em cadelas e gatas: o que você precisa saber

A piometra é uma doença séria que pode afetar cadelas e gatas. Um estudo da UFMG de 2025 mostrou que uma em cada quatro fêmeas pode desenvolver essa…

Piometra em cadelas e gatas: o que você precisa saber

A piometra é uma doença séria que pode afetar cadelas e gatas. Um estudo da UFMG de 2025 mostrou que uma em cada quatro fêmeas pode desenvolver essa condição em algum momento da vida. Trata-se de uma infecção no útero relacionada ao hormônio progesterona, que prepara o corpo da fêmea para a gestação.

Mesmo que a cadela não esteja grávida, ela ainda pode estar exposta a altas quantidades de progesterona até 75 dias após o cio. Essa situação cria um ambiente favorável ao acúmulo de secreções e ao crescimento de bactérias. Infelizmente, muitos tutores só notam a doença quando a cadela já apresenta sintomas claros, como secreção vaginal, apatia ou aumento da barriga.

Em alguns casos, a piometra pode se desenvolver de forma silenciosa, dificultando o diagnóstico e aumentando o risco de complicações. Para entender mais sobre a piometra em cadelas, contamos com a ajuda da veterinária Nathalia Martins. Neste artigo, vamos explorar os sintomas, causas, tratamentos e formas de prevenir essa enfermidade.

O que é piometra em cadelas?

A piometra é uma infecção bacteriana grave que ocorre no útero de cadelas não castradas. Após o cio, o corpo da fêmea continua com altos níveis de progesterona, o que leva ao acúmulo de pus no útero. Isso causa uma inflamação que pode colocar a vida da cadela em risco. Sem diagnóstico e tratamento rápidos, a infecção pode se espalhar pelo corpo e causar a morte.

Cadelas que nunca cruzaram também estão sujeitas a essa doença. Assim, a piometra não se limita a fêmeas grávidas, mas está ligada ao ciclo hormonal natural delas.

Tipos de piometra

A piometra é dividida em dois tipos principais: aberta e fechada. A diferença entre elas é o estado do colo do útero, que pode estar aberto ou fechado.

Piometra aberta

Neste caso, o colo do útero está aberto e a secreção purulenta pode ser vista saindo pela vagina. Essa secreção pode aparecer na vulva, na pele ou nos pelos da cadela, e até mesmo nas superfícies onde ela se deita. A cadela pode apresentar febre, apatia ou falta de apetite.

Piometra fechada

Aqui, o colo do útero está fechado, e o pus não consegue sair. Isso faz com que o útero se distenda, aumentando o risco de ruptura e infecção generalizada. Os sinais geralmente são mais graves: a cadela fica sem energia, não come, pode vomitar ou ter diarreia e rapidamente evolui para um quadro sério.

Estudos mostram que o risco de sépsis e endotoxemia é muito maior na piometra fechada. Além disso, em ambas as formas da doença, as toxinas liberadas pelas bactérias prejudicam os rins, aumentando a urina e a sede.

É importante notar que a piometra fechada pode ser mais difícil de identificar, já que não há secreções visíveis. Os tutores podem notar apenas sinais vagos, como falta de apetite ou apatia, confundindo com outras doenças.

O que causa piometra em cadelas?

A piometra resulta de fatores como alterações hormonais, mudanças estruturais no útero e infecções bacterianas. Durante o cio, dois hormônios têm um papel fundamental:

  • Estrógeno: Agindo no início do ciclo, ele relaxa o colo do útero, facilitando a cópula e a entrada de bactérias que vivem na vagina.
  • Progesterona: Predominante na fase de diestro, promove o espessamento do endométrio e estimula as glândulas uterinas a produzir secreções.

Quando esses eventos se repetem ao longo dos ciclos, o útero sofre alterações acumulativas. Uma dessas alterações é a chamada hiperplasia endometrial cística, que é o engrossamento da parede do útero. Esse quadro cria um ambiente ideal para a proliferação de bactérias.

A bactéria Escherichia coli é uma das mais comuns em casos de piometra, contribuindo para mais de 90% das infecções. Outras bactérias, como Streptococcus spp. e Staphylococcus aureus, também são frequentemente encontradas.

Por que a piometra acontece?

A doença normalmente aparece algumas semanas após o cio, na fase de diestro, período em que a cadela não aceita a monta e há liberação intensa de progesterona. O risco de desenvolver piometra aumenta a cada cio não castrado que a cadela tem, pois as alterações no útero se acumulam.

Raças com maior predisposição a piometra

A piometra pode afetar qualquer raça de cadela, mas algumas têm maior predisposição. As raças mais afetadas incluem:

  • Pastor Alemão
  • Golden Retriever
  • Labrador Retriever
  • Rottweiler
  • Doberman
  • Setter Irlandês

Essas raças têm chances de desenvolver a doença que podem ser até duas vezes maiores em comparação com outras.

Outros fatores de risco para a piometra em cadelas

Além da genética, vários fatores aumentam a probabilidade de desenvolver piometra:

  • Idade: A piometra é mais comum em fêmeas adultas e idosas, especialmente em cadelas acima de 10 anos.
  • Histórico reprodutivo: Vários ciclos de cio sem castração aumentam as mudanças no útero.
  • Não castração: Manter o útero é necessário para o desenvolvimento da piometra.
  • Uso de anticoncepcionais hormonais: Esses produtos desequilibram o ciclo e aumentam o risco de piometra e outros problemas.

A veterinária Nathalia Martins destaca que o uso de anticoncepcionais injetáveis pode aumentar em quase 99% o risco de piometra e de câncer. A castração é a principal forma de prevenção contra a piometra. Esse procedimento elimina a possibilidade de infecção uterina.

Quais são os sintomas da piometra?

Os sintomas da piometra podem ser bastante variados, dependendo se o colo do útero está aberto ou fechado. Os sinais principais são:

Piometra abertaPiometra fechada
Corrimento vaginal purulentoAbdômen inchado ou dolorido
Secreção com odor forteLetargia intensa
FebreFalta de apetite
DesidrataçãoVômitos e diarreia
Sede excessiva
Micção frequente
Gengivas pálidas

Esses sinais nem sempre aparecem de forma clara. Muitas vezes, a falta de apetite e apatia são as únicas manifestações iniciais. Por isso, é essencial que qualquer sintoma observado leve o tutor imediatamente ao veterinário.

Sintomas de piometra em gatas

A piometra também pode afetar gatas. Os sintomas são semelhantes aos das cadelas e incluem:

  • Corrimento purulento ou sanguinolento
  • Febre
  • Prostração
  • Falta de apetite

É importante entender que a piometra em gatas é uma emergência. Ao notar sinal de qualquer um desses sintomas, o proprietário deve procurar um veterinário rapidamente.

Como é feito o diagnóstico da piometra?

O diagnóstico envolve anamnese, análise dos sinais clínicos, exames laboratoriais e ultrassonografia. A rapidez nesse atendimento é fundamental. O processo geralmente passa por três etapas:

  • Avaliação clínica: O veterinário analisa o histórico da cadela e verifica mudanças, como secreções vaginais e aumento abdominal.
  • Exames laboratoriais: O hemograma geralmente indica elevação dos leucócitos, sinal de infecção. Alterações em outros testes também podem surgir.
  • Ultrassonografia abdominal: Este exame é essencial para confirmar o estado do útero e diferenciar a piometra de outras condições.

Doenças com sinais semelhantes à piometra

Outras doenças uterinas, como hemometra (acúmulo de sangue) e mucometra (acúmulo de muco), podem ser confundidas com a piometra. Todas essas condições exigem avaliação veterinária urgente.

A piometra tem cura?

Sim, embora a piometra seja considerada uma emergência médica. Quando diagnosticada cedo e tratada corretamente, as chances de recuperação são boas.

Qual o tratamento da piometra?

O tratamento mais eficaz é a cirurgia para remoção do útero e ovários. Essa é a única forma de curar a piometra, já que elimina a fonte da infecção. A veterinária Nathalia Martins explica que apenas o uso de antibióticos não é seguro para tratar a doença.

Existe tratamento só com medicamentos?

O uso de antibióticos ou hormonioterapia pode ser considerado em casos muito específicos, mas não substitui a cirurgia. Esses métodos têm risco elevado de recidiva.

Quais são os riscos da cirurgia?

Como a piometra atinge mais frequentemente cadelas mais velhas, a anestesia acaba sendo mais complexa. O estado do útero, que pode estar bem maior e comprometido, também influencia. Complicações como anemia ou infecção generalizada tornam a cirurgia arriscada. Por isso, o procedimento deve acontecer em um ambiente adequado, com profissionais capacitados.

Nathalia salienta que a cirurgia imediata aumenta as chances de recuperação. Quanto mais cedo, menor é o risco de complicações.

Dúvidas comuns sobre a recuperação após a cirurgia de piometra

A veterinária Nathalia Martins esclarece algumas perguntas frequentes sobre o pós-operatório:

Quanto tempo dura a recuperação?

Geralmente, a recuperação leva de 10 a 15 dias, incluindo a retirada dos pontos. Os cuidadores devem garantir que a cadela descanse, tome os remédios corretamente e tenha boa alimentação e hidratação.

Quais sinais exigem atenção imediata?

Sintomas como urina com sangue, secreção na vulva, falta de apetite ou vômitos pedem uma visita rápida ao veterinário.

A cadela pode ter sequelas após o tratamento?

Após a cirurgia, a cadela não poderá ter filhotes. Algumas podem ganhar peso ou ficar mais calmas, mas isso varia de cão para cão.

A piometra pode voltar após a cirurgia?

Não. Como o útero é retirado, não há chance de a doença reaparecer. Uma condição parecida, chamada piometra de coto, pode ocorrer se um fragmento de ovário ou útero permanecer após a cirurgia.

Existe prevenção para a piometra?

Sim. A castração preventiva é a melhor forma de evitar piometra. Esse procedimento também minimiza o risco de tumores mamários, que estão ligados a hormônios reprodutivos. Idealmente, a castração deve ser realizada antes que a piometra se desenvolva.

No Brasil, muitas fêmeas são castradas apenas após o surgimento da piometra. Em comparação, em países como os EUA e Canadá, cerca de 85% das cadelas são castradas preventivamente.

A recomendação de castração pode variar conforme o porte:

  • Para cadelas pequenas e médias: geralmente é indicada após o primeiro cio.
  • Para cadelas grandes e gigantes: recomenda-se a castração após o terceiro cio.

Cada animal deve ser avaliado individualmente, e somente um veterinário pode indicar o melhor momento para a castração. Nathalia Martins destaca que o procedimento é vital não só para o controle populacional, mas também para a saúde das fêmeas.

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