Afastamento de John Textor do Comando da Eagle: Repercussões no Botafogo
John Textor, proprietário da SAF do Botafogo, foi oficialmente afastado do comando da Eagle Football Holdings (EFH). A decisão foi tomada no fim de janeiro pela Ares Management,…
John Textor, proprietário da SAF do Botafogo, foi oficialmente afastado do comando da Eagle Football Holdings (EFH). A decisão foi tomada no fim de janeiro pela Ares Management, que acionou uma cláusula de proteção ao crédito devido ao agravamento da situação financeira e societária da empresa. Textor classificou a situação como uma “guerra civil”.
A ação remove Textor do comando operacional da Eagle e representa uma mudança significativa no complexo processo financeiro que envolve a empresa. O documento que oficializou seu afastamento confirma que a decisão foi tomada no fim de janeiro.
De acordo com informações apuradas pelo GLOBO em fevereiro, a causa do afastamento foi uma reestruturação interna promovida por Textor. Ele afastou membros independentes da estrutura de governança da Eagle, uma medida que os credores interpretaram como um risco adicional, levando a Ares a exercer garantias contratuais.
No entanto, a Eagle permanece como controladora do Botafogo. A mudança não implica automaticamente na troca de controle da SAF do Botafogo, cuja gestão, sob o comando de Textor, só pode ser alterada pelo Conselho da SAF ou pelo fim da decisão liminar do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A decisão protege atualmente a composição do Conselho e a estrutura de governança.
Assim, mesmo com a Ares assumindo o controle da Eagle como credora, a administração do Botafogo continua inalterada neste primeiro momento. Contudo, Textor pode ser retirado do cargo posteriormente.
Após a decisão se tornar pública, Textor emitiu uma longa nota oficial na qual explicou as decisões recentes, lamentou as demissões de Hemen Tseayo e Stephen Welch e expressou preocupação com a situação do Botafogo.
Segundo Textor, a decisão resultou em uma “guerra civil lamentável” que transformou uma organização esportiva unida, colaborativa e bem-sucedida em um problema financeiro. Ele afirmou que o Botafogo, outrora o clube financeiramente mais forte do Brasil, foi deixado à deriva, com grandes contas a receber pendentes, sob a direção de um “conselho secreto” na França, o que é uma violação clara da lei francesa.
Na sua nota, Textor também ofereceu uma cronologia para ajudar o público a entender os registros conflitantes de documentos na Companies House, no Reino Unido. De acordo com ele, os registros da Companies House agora refletem diferentes pontos de vista sobre a governança da empresa.
Textor expressou sua oposição à apresentação de documentos frívolos por credores terceirizados na Companies House, que visam restringir os direitos dos acionistas das empresas do Grupo Eagle. Ele argumenta que essas ações violam os estatutos sociais das entidades, que podem ser consultados na Companies House.
Na nota, Textor também detalhou as razões de seu afastamento, que incluem a descoberta de um “Acordo Paralelo” secreto e ações que ele considera violações da lei francesa. Ele concluiu afirmando que sua decisão de remover certos diretores não visava encerrar a relação profissional com eles, mas fortalecer a empresa.
Apesar das notícias sensacionalistas de uma tentativa de golpe, Textor alega que seu voto teria removido um pequeno número de diretores que provavelmente se oporiam ao acionista majoritário e nomeado outros profissionais para cargos de liderança.