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Com que idade o gato troca os dentes

São 26 dentes de leite e 30 permanentes, e a fase de morder tudo tem hora para acabar.

Por · · 5 min de leitura
Comedouro de aço vazio e brinquedo de pelúcia em chão de madeira clara

Comedouro de aço vazio e brinquedo de pelúcia em chão de madeira clara

Achar um dentinho no chão da sala assusta na primeira vez. Não deveria: saber com que idade o gato troca os dentes evita corrida desnecessária à clínica e, ao mesmo tempo, ajuda a perceber quando algo realmente saiu do previsto.

A troca tem calendário, e ele é bem definido.

O calendário da dentição felina

O filhote nasce sem dentes. Os de leite começam a aparecer por volta das duas a três semanas de vida e completam o conjunto de 26 até as seis ou oito semanas.

A troca começa por volta dos três meses, pelos incisivos, e segue até os seis ou sete meses, quando os 30 dentes permanentes estão no lugar. É nesse intervalo que o gatinho morde tudo, porque a gengiva incomoda.

Passados os sete meses sem a dentição definitiva completa, vale investigar. Um exame de boca resolve a dúvida rápido, e encontrar clínica perto de casa fica mais simples com um diretório de pet shops e veterinários organizado por cidade e bairro.

Etapa por etapa

Idades de referência na dentição do gato
IdadeO que acontece
2 a 3 semanasNascem os primeiros incisivos de leite
6 a 8 semanasDentição de leite completa, com 26 dentes
3 a 4 mesesComeça a troca, pelos incisivos
4 a 5 mesesTrocam os caninos, fase de mordida mais intensa
5 a 6 mesesPré-molares e molares definitivos
6 a 7 mesesDentição permanente completa, 30 dentes

Como ajudar nessa fase

  1. Ofereça mordedores próprios para filhote. Eles poupam móveis e aliviam a gengiva.
  2. Não use a mão como brinquedo. O gato aprende que mão é alvo e leva isso para a vida adulta.
  3. Amoleça a ração se ele recusar. Um pouco de água morna resolve a recusa temporária.
  4. Comece a escovação agora. Aceitar a escova aos cinco meses é muito mais fácil que aos cinco anos.
  5. Observe o hálito e a gengiva. Vermelhidão intensa e cheiro forte fogem do esperado.

O que não é normal

Engolir os dentes de leite é comum e não faz mal, então não achar os dentinhos pela casa não é sinal de problema.

Já a persistência do dente de leite ao lado do permanente merece avaliação: dois dentes ocupando o mesmo espaço acumulam resto de comida e favorecem tártaro precoce. Também fogem do previsto sangramento contínuo, recusa total de comida por mais de um dia, gengiva muito inchada e dente permanente quebrado.

Como a dentição ajuda a estimar a idade

Quem resgata um gatinho sem saber a idade tem na boca dele a melhor pista disponível nos primeiros meses. Filhote sem nenhum dente tem menos de duas semanas. Com os incisivos de leite despontando, está entre duas e três semanas. Dentição de leite completa indica seis a oito semanas.

A partir daí, a presença de dentes permanentes conta a história. Incisivos definitivos apontam para três a quatro meses, caninos permanentes para quatro a cinco, e a boca com os trinta dentes definitivos indica sete meses ou mais. É uma estimativa boa, e é a que veterinários usam na triagem.

Depois do primeiro ano a leitura fica bem menos precisa, porque passa a depender de desgaste e de acúmulo de tártaro, que variam com alimentação e genética. Nessa fase a idade estimada costuma vir com margem de anos, não de semanas, e outros sinais entram na avaliação.

Escovação: como começar sem apanhar

A fase da troca é a melhor janela para introduzir a escovação, e o segredo é não começar pela escova. Os primeiros dias são só de tocar o focinho e levantar o lábio por dois segundos, com o gato calmo, sempre seguido de algo bom, como petisco ou carinho.

Depois entra o dedo com um pouco de pasta veterinária, para o gato provar o sabor e associar. Só então aparece a escova ou a dedeira, começando pelos dentes da frente e por poucos segundos. Sessões curtas e diárias funcionam muito melhor que uma sessão longa por semana.

Um aviso importante: pasta de dente humana não serve para gatos. Ela contém flúor e, em algumas versões, xilitol, e não é feita para ser engolida. As pastas veterinárias são formuladas para isso e costumam ter sabor de proteína, o que ajuda bastante na aceitação.

O que costuma aparecer depois da troca

Terminada a dentição, dois problemas concentram as consultas odontológicas felinas. O primeiro é a doença periodontal, com gengiva inflamada, tártaro e, em quadros avançados, perda de dente. Ela é silenciosa no começo e o hálito forte costuma ser o primeiro sinal notado em casa.

O segundo é a lesão reabsortiva, um desgaste do próprio dente que aparece com frequência em gatos adultos e costuma ser doloroso. O animal come de um lado só, deixa cair ração da boca ou passa a preferir alimento úmido, e nem sempre demonstra dor de forma evidente.

Por isso a avaliação da boca deveria entrar na consulta anual, mesmo em gato que parece bem. Gatos escondem dor por instinto, e a queixa que leva o tutor à clínica costuma aparecer quando o quadro já está adiantado, o que torna o tratamento mais invasivo e mais caro.

Perguntas frequentes sobre a troca de dentes do gato

Meu gato está com mau hálito na troca. É normal?

Um cheiro leve pode aparecer na fase. Hálito forte e persistente não é esperado e pede avaliação.

Ele parou de comer. O que fazer?

Recusa breve acontece pelo desconforto. Amolecer a ração ajuda, e recusa que passa de um dia deve ser vista por um veterinário.

Gato adulto troca de dente?

Não. Depois dos sete meses, dente que cai indica problema, não troca natural.

Preciso guardar os dentes de leite?

Não há necessidade nenhuma. É lembrança, não exigência de saúde.

Posso dar osso ou brinquedo duro nessa fase?

Melhor não. Material muito rígido pode fraturar dente em formação. Mordedores de borracha macia são mais seguros.

Gato de rua adulto pode ter dentição incompleta?

Pode, por trauma ou doença periodontal. Ausência de dente em adulto não é troca, e merece avaliação.

Resumo

Os dentes de leite nascem entre a segunda e a oitava semana, somando 26. A troca vai dos três aos sete meses e termina com 30 dentes permanentes. Mordedor próprio, escovação iniciada cedo e atenção a gengiva e hálito são o que ajuda na fase. Engolir o dente de leite é normal; dente de leite que fica ao lado do permanente, não.

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